A nutricionista Gladia Bernardi, com base na neurociência, na programação neurolinguística e em coaching, explica os quatro passos necessários para mudar a postura em relação à comida e, assim, emagrecer definitivamente.

O conselho popular “Pensar antes de agir” parece cada vez mais atual na vida cotidiana agitada. Na alimentação não é diferente, mas o lema nesse caso deve ser: “Pensar antes de comer”. A nutricionista e coach Gladia Bernardi, criadora do método “Emagrecimento Consciente, defende que mudar a mentalidade é a única forma realmente eficaz de combater a obesidade no Brasil e no mundo.

Pesquisa recente da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) indica que 52,5% da população adulta está acima do peso. O levantamento também mostrou que essa taxa aumentou quase 10% entre 2006 e 2014. O número é alarmante se considerarmos a variedade de intervenções cirúrgicas, remédios e dietas disponíveis hoje em dia.

Segundo Gladia, a taxa de obesidade tende a crescer no mundo todo. “Muitos métodos trabalham do fim para o começo. Não adianta ‘atacar’ diretamente um hábito ruim e achar que isso mudará a mente. Essas práticas tratam o sintoma, mas não a doença em si. A visão sobre o emagrecimento precisa ser ampliada, pois para que seja eficaz, é preciso refazer as conexões neurais”, explica a coach.

Para alcançar esse objetivo, ela ressalta a importância de compreender as chamadas “quatro engrenagens”, e ensina a outros nutricionistas como é possível transformar a “mente gorda” em “mente magra”, sem cirurgias ou medicamentos. “Se o profissional ensinar a pensar diferente, o paciente se sentirá diferente e, consequentemente, terá a motivação necessária para que consiga emagrecer”.

Confira os 4 passos para emagrecer de forma definitiva, segundo a especialista:

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Primeira engrenagem: Pensamentos – Para transformar o corpo, primeiramente é necessário trabalhar a maneira como o paciente raciocina. “A ideia, essencialmente, é diminuir os ‘pensamentos de gordo’ e estimular os ‘pensamentos de magro’”, explica.

Uma vez se conhecendo melhor, a pessoa que quer emagrecer poderá rever seus pensamentos e atitudes e colocar em prática essas mudanças. “Somos nosso próprio ‘software’ e nosso programador. Se pensarmos em algo bom ou algo mau, estaremos reorganizando o nosso cérebro, e isso terá efeito sobre a vida.”

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Segunda engrenagem: Sentimentos – Os nossos sentimentos levam à motivação. “Pode ser que exista um vazio sentimental no obeso e ele busque preencher essa necessidade interna com comida. Alguns preenchem com álcool, com cigarro, com drogas”, explica a nutricionista.

Por isso, é necessário ensinar o cliente de emagrecimento a comer de forma consciente (racional) e não ser dominado pelos sentimentos e pelas emoções. “Das pessoas que estão acima do peso, 92% usam a comida para compensar emoções e sentimentos reprimidos. Esse é um dos dados que inspiram o uso de técnicas mentais para obter o emagrecimento saudável e definitivo”, diz Gladia.

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Terceira engrenagem: Comportamento – O novo comportamento será escolhido pelo próprio cliente de emagrecimento. “Ele servirá para recompensar o cérebro, que pode estar estressado, deprimido ou ansioso. Pode ser traduzido em coisas simples, como relaxar em uma banheira, desde que seja uma gratificação. Assim, o cérebro ganha outra fonte de prazer que não seja comida”.

Quarta engrenagem: Hábitos – Assim como o processo de engordar aconteceu ao longo do tempo, por meio de práticas e repetições, criar comportamentos e hábitos que gerem resultados não seria algo diferente. “Sendo assim, é fundamental colocar em prática a repetição de suas novas escolhas.”, explica.

Ter o hábito de levar seus alimentos, sejam eles refeições ou lanches saudáveis em uma bolsa térmica é uma ótima dica para quem costuma fazer escolhas erradas na rua por serem mais práticas. Assim não corre o risco de jacar nesse processo.

A coach diz que a neuroplasticidade do cérebro explica a formação de hábitos por meio de repetições constantes.Estudiosos da neurociência e do comportamento humano relatam que, de 20 a 60 dias, você pode criar uma nova conexão neural. Tudo é uma questão de repetição e, então, criam-se os hábitos”, finaliza Gladia.

Imagens: Shutterstock

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Escrito por Luanna Ravanelli